No passado dia 5 de Junho os portugueses escolheram mudar de Governo, tendo num momento particularmente difícil da história do País, a maioria confiado num Executivo liderado pelo Dr. Pedro Passos Coelho e pelo Partido Social Democrata. Com efeito, o PSD arrematou uma significativa vitória permitindo-lhe, em coligação com o CDS-PP, a sustentação de um Governo com maioria absoluta na Assembleia da Republica.
Depois de uma campanha eleitoral em que o PSD, com elevação e transparência, alertou para a necessidade de promoção de profundas e nem sempre consensuais reformas no País, entrou-se no dia a seguir às eleições no verdadeiro desafio: o de dar um rumo a Portugal.
A meu ver as primeiras iniciativas após a eleição demonstraram a serenidade com que o PSD se propõe levar a cabo os trabalhos governativos desta legislatura. Assim sendo, quer no período em que negociou com o CDS-PP o acordo político de governação “MAIORIA para a MUDANÇA” quer no período em que se formou o Governo, a forma sigilosa e elegante como os processos foram conduzidos foi reveladora de que para além do conteúdo, o Governo está também preocupado com a forma como os mesmos se desenvolverão.
Não deve ainda assim ser esquecido o mais mediatizado episódio político pós 5 de Junho: a eleição do Presidente da Assembleia da Republica. Nesta ocasião, sabedor da possibilidade da não eleição da personalidade escolhida pelo PSD para dirigir o órgão, o Primeiro Ministro indigitado optou por manter a palavra dada ao Dr. Fernando Nobre, indicando-o como candidato do PSD ao cargo. Apesar da não eleição do candidato por si proposto, circunstância que naturalmente não abonou em favor dos social-democratas, deve-se realçar o altruísmo e o respeito evidenciado relativamente a um acordo pré-estabelecido.
O caminho só agora começou a ser trilhado, sendo cedo para começar a retirar conclusões. Avizinha-se um período difícil em que serão pedidos alguns sacrifícios aos portugueses, a que estes exigirão do Governo a eficácia, solidariedade e sensibilidade para as suas dificuldades pessoais.
A ver vamos…
Por: Ricardo Videira
16 comentários:
Ricardo
O teu artigo espelha não só uma nova linha de pensamento, mas acima de tudo, uma nova linha de rumo necessária para o país, que cada um de nós deve assumir, seja qual for a nossa linha ideológica. O país foi deixado pelo governo anterior num estado tal que nenhum cidadão consciente pode ficar indiferente. Avizinham-se anos muito difíceis para os quais todos, mas mesmos todos,terão que contribuir para a recuperação e deixar-mos às gerações mais novas esperança no futuro.
A forma como abordas o tema faz-nos acreditar que a geração a que pertences será capaz de dar a volta a um legado tão pesado que vos está a ser deixado. Pela minha parte acredito na vontade e determinação dos Portugueses e tudo farei para, ainda que modestamente dar o meu contributo para apoiar aqueles que, honestamenete e com elevação de espirito, podem MUDAR Portugal. Tu serás um deles. Já agora vamos também operar a mudança em
Vendas Novas
Eu diria que bastará que os mais de 85% dos Portugueses que votaram nos 3 partidos que subscreveram o acordo com a Troika estejam unidos em torno de um projecto comum para que o êxito se concretize e Portugal possa sair da grave crise económica, financeira e social em que se encontra. Os 15% que não subscreveram as medidas anunciadas, os que estão sempre contra tudo e contra todos, e que, cobardemente, se furtaram a manifestar a sua posição junto dos membros da Troika, podem ficar no seu “gueto” e um dia a história, ou talvez o presente já o tenha feito, fará o devido e derradeiro juízo…
Os tempos são de mudança mas são, simultaneamente, de grandes dificuldades e creio bem que mesmo ultrapassado o pior, esta tempestade que nos assola, os tempos vindouros jamais serão como eram dantes, e será bom que o não sejam para que possamos viver com algum desafogo mas de acordo com a nossa realidade económica e os meios de produção de que dispomos ainda que devidamente potenciados.
As medidas, duras, que irão ser implementadas, muitas delas já são do domínio público, são estritamente necessárias no plano técnico e nenhum político, seguramente, as gostaria de apadrinhar; fica-nos a esperança de que passado este tratamento de choque, esta verdadeira quimioterapia a todos os portugueses irão ser submetidos, possamos sorrir todos dando por bem empregues todos os sacrifícios a que fomos submetidos, para nosso bem, dos nossos filhos e dos nossos netos…
Temos um Governo formado por gente jovem, gente muito competente no plano técnico, gente que não se eximiu a responsabilidades para ocuparem lugares de governação quando o país se encontra numa situação dramática, deixando os confortáveis lugares que ocupavam na economia privada para ajudarem o país; só por isto, se outras razões não houvessem, este governo merece a nossa solidariedade e um grande voto de confiança.
Cada um de nós, os mais de 85% de portugueses que votaram "Sim" ao acordo - dos outros 15% não reza, nem rezará a não ser pelas piores razões, a história – tudo façamos para ajudar o País naquilo que exigimos que ele nos dê: Paz, Emprego, Bem-Estar, Economia Próspera…
Confesso que cada vez que visito e/ou participo neste blog aumenta o meu orgulho em ser social democrata e ser do PSD.
A forma esclarecida, séria e educada como ocorrem as diversas intervenções neste espaço de debate público enobrece a democracia e todos quantos nela acreditam e dela fazem o seu modo de estar na vida.
A participação do anónimo das 11:35do dia 27 é um excelente exemplo do que acabo de afirmar. São colocadas com rigor e exactidão as permissas do que irá ser o nosso futuro mais próximo e, seguramente, condicionantes ao futuro mais distante.
Não posso estar mais de acordo com a análise feita. Subscrevo.
A ver vamos...com pessoas altamente qualificadas como o sr. Álvaro, o sr. Vitor, o Sr.Miguel, o sr. Paulo ou o sr. Pedro isto vai lá, vamos deixar o governo trabalhar e depois do Verão quando a "transumância" estiver concluída e as comemorações da República acontecerem no dia 6/10 façamos o balanço. Já agora dois apontamentos: 1º ao anónimo que diz ter orgulho social democrata pela "forma esclarecida, séria e educada como ocorrem as diversas intervenções neste espaço de debate público enobrece a democracia", pois devo aconselhar o (a) distinto(a) sr(a) a percorrer alguns comentários de posts anteriores pois parece que a questão não é bem assim, há por aí muito boa gente com falta de respeito e educação. 2º- as contas dos subscritores e não subscritores das propostas da troika não são correctas (85%/15%), carecem de revisão.
Respeitosos cumprimentos para todos.
Quero agradecer a um Sr. comentador anónimo, assíduo ao que parece, o reparo que me dirigiu relativamente às percentagens de portugueses que deram o seu acordo às medidas da troika, dizia eu mais de 85% contra os 15%, marginais e perfeitamente dispensáveis, porque se auto-isentaram…
De facto, confesso, que fiquei um pouco embaraçado sobre onde teria ido buscar resultados tão desconfortantes para os arautos da desgraça, particularmente os que vêem naqueles que estão disponíveis para nos ajudar, não a qualquer preço como é óbvio, uns ladrões ou quaisquer outro tipo de malfeitores…
Fez-se-me luz em determinado momento sobre resultados tão surpreendentes e, se me permite, passarei a explicar sucintamente:
Compreenderá que as eleições legislativas têm como finalidade maior, saber qual o partido mais votado e que irá formar governo, e o número de deputados que cada partido elege e que terão assento na Assembleia da República.
Passado que foi a contagem dos votos, válidos, nulos, brancos, dos partidos sem a mínima expressão eleitoral, fica na memória o nome do partido vencedor e que formará governo, e o número de deputados eleitos por cada um dos partidos. É nesta perspectiva que eu faço a minha análise estatística sobre o suporte parlamentar deste governo relativamente às medidas acordadas com a Troika; aí meu caro, sendo mais rigoroso na análise, até porque os meus cálculos assentam agora em resultados finais, e sem enjeitar a minha falha, involuntária, na forma como me expressei no comentário anterior, gostaria de lhe recordar, para seu desencanto seguramente, a actual composição parlamentar com o número de deputados eleitos por cada um dos partidos que elegeram deputados, já que dos outros ninguém mais lembra nem ouvirá falar tão cedo:
PSD 108
PS 74
CDS 24
PCP/PEV 16
BE 8
TOTAL 240
Como é do seu conhecimento, os 3 partidos que subscreveram o acordo são o PSD, PS e CDS que, conjuntamente, elegeram 206 deputados; os partidos que não só não subscreveram como, incompreensivelmente, não manifestaram a sua discordância e defesa dos seus pontos de vista junto da Troika, foram o PCP/PEV e o BE num total de 24 deputados, tantos como o CDS sozinho, quem diria…
Feitas as contas, podemos afirmar que este governo tem legitimidade para governar, em obediência ao acordo firmado com a Troika, com uma base parlamentar de 89,57% dos deputados eleitos, 240; que, ainda com base parlamentar, 10,43% dos deputados eleitos pelo voto, expresso, do povo, rejeitam o acordo mas não dizem, explicitamente, porquê nem apresentam, nem nunca apresentarão, alternativas credíveis.
Pela minha falha de comunicação, apresento a todos os leitores deste Blog o meu pedido de desculpas mas, como é lugar-comum dizer-se, há males que vêm por bem e, na circunstância, foi possível transcrever a verdade, crua e nua, dos números, por mais dolorosos que eles sejam…
Caro (a) Anónimo (a) (tal como eu), das 10:46 de 30 de Junho, receio bem que a sua falha de comunicação continue e a passos talvez deva outro pedido de desculpas aos estimados leitores deste blog, pois a verdade, crua e nua, dos números é outra, senão vejamos: 1- o parlamento tem 230 deputados e não 240 (aconselho vivamente uma leitura atenta da CRP); PSD, PS e CDS somam 206 deputados e PCP/PEV e BE 24, o que representa 89,57% e 10,43% respectivamente (talvez para sua surpresa isto por si só não me desencanta, apenas quando a expressão deste resultado é irem-me ao bolso, roubarem-me, aí pia mais fino!); até aqui o erro é apenas na soma de deputados (talvez a máquina de calcular esteja avariada!); 2 – seguindo em frente, digo-lhe que a razão do meu apontamento foi mais vasto e tem que ver com o que diz precisamente no seu comentário “Passado que foi a contagem dos votos, válidos, nulos, brancos, dos partidos sem a mínima expressão eleitoral, fica na memória o nome do partido vencedor e que formará governo, e o número de deputados eleitos por cada um dos partidos”; pobres democratas quando se resumem a esta propriedade; a análise dos números tem que ser mais abrangente, dos 9.624.133 inscritos votaram apenas 5.588.594, descontando o exagero dos CE, talvez o nº real ronde os 8.800.000 inscritos, ainda assim abstiveram-se cerca de 3,2 milhões que juntando aos cerca de 1,2 milhões de PCP/PEV, BE, brancos, nulos e pequenos partidos somam aprox. 4,4 milhões superior aos 4,381897 milhões de PSD, PS e CDS, quase um 50:50, esta é que é verdade nua e crua dos números, pelo menos 50% dos eleitores não subscreveram o plano da troika; não são 10 ou 15%, são mais de 50%; é claro que isso não tira qualquer legitimidade ao governo (é assim nos nossos sistemas democráticos), mas se o PSD e CDS se convenceram que essa enorme maioria de deputados é suficiente não irão longe, nem serão diferentes do que foi feito até aqui; a equação é muito simples, a democracia não termina no momento dos resultados eleitorais, vai-se construindo na expressão das diferentes representações, com ou sem deputados eleitos; não se esqueça que a maior parte das grandes revoluções fizeram-se em volta de problemas de representação (por simples acaso hoje até é 4 de Julho, data da revolução americana, um exemplo por sinal). A ver vamos…Respeitosos cumprimentos.
Caro anónimo do dia 4 de Julho pelas 22h48m : colocando precisão no nº de Deputados da AR , vai em seguida numa linha de raciocinio que roça o indicar quase um empate nos resultados eleitorais ficando quase no ar a ideia de uma vitoria pifia do PSD e a contituição de uma mairia de governo muito forçada . Saudando-o pelo seu comentario , os meus respeitosos cumprimentos .
ZÉ DO MOINHO
Meu Caro Anónimo/Zé do Moinho (olhe que sobre este existem direitos de autor) mas pelo seu comentário parece não ter percebido, ou se percebeu não o quis dizer; relembro que o(s) comentário(s) em nada tiram a legitimidade da vitória do PSD e da formação do novo governo (ainda acredito neste sistema democrático!); em relação à vitória pifia do PSD..a ver vamos, mas a ver pelo começo a coisa promete; Respeitosos Cumprimentos para todos
O Caro (a) anónimo(a), tal como eu o sou anónimo e não anónima, é verdadeiramente um Expert em estatística e, sobretudo, em Organização Política e Administrativa da Nação!..
Confesso que nessa disciplina, e em toda a sua envolvente, fui sempre, e continuo a ser, um péssimo aluno! Ao longo da minha vida, muito mais que a política, preocupei-me sempre com valores como o trabalho, a educação, a moral, o direito, a solidariedade, etc.…
Tenho que reconhecer a minha profunda ignorância - todos somos ignorantes, cada um nas suas matérias - comparativamente ao seu elevado conhecimento em matérias tão importantes como o número de deputados na Assembleia da República e outras matérias afins…
Não me custa nada voltar a pedir-lhe desculpa pelo meu erro, não um mero lapso, bem como a todos os muitos leitores e leitoras, assíduos, deste interessantíssimo Blog.
Cumulativamente com este meu erro, crasso, de não saber o número de deputados da Assembleia da República, 230 e não 240, cometi o lapso, agora sim um lapso, de ter somado incorrectamente, se tivesse utilizado a máquina de calcular como me sugeriu seguramente que isso não teria acontecido; prometo que para a próxima, mais do que a máquina de calcular, utilizarei o computador, concretamente uma folha de cálculo Exel, para que não voltem a existir motivos para reclamações.
A sua observação relativamente aos votos brancos, tintos, desculpe, nulos, os dos abstencionistas e dos partidos sem a menor expressão eleitoral, é pertinente mas remeter-nos-ia para outros dossiers não menos importantes, nomeadamente os que se prendem com eleições autárquicas, em que as vitórias são proclamadas como esmagadoras, sem que haja a mínima referência aos argumentos invocados pelo Caro(a) anónimo (a)…
Para terminar, permita-me que lhe diga que a legitimidade deste governo não está minimamente em causa e que a esmagadora, gosto deste termo, maioria parlamentar oriunda dos partidos que subscreveram o acordo com a Troika dá-lhe legitimidade bastante para implementar todas as medidas que visem, por muito que nos custem, atingir todos os objectivos que não só estão acordados mas, sobretudo, que nos permitam sair da grave crise em que nos encontramos.
Os 230 em vez dos 240, os parciais estão certos, uma décima acima ou uma décima abaixo, compreenderá, são “peanuts”, o essencial, aquilo que lhe custa aceitar, está absolutamente correcto!..
Peço-lhe desculpa por não lhe ter respondido há mais tempo como seria meu desejo, mas estive ausente nos USA em viagem de trabalho, não de política…
Aceite os meus cumprimentos, Caro (a) anónimo (a)…
Meu caro anómino, digo-lhe que não sou nenhum expert em nada, nem preciso de pedido de desculpas (a existirem são para os leitores deste blogue) mas meu caro números, perdão, pessoas são pessoas; com ou sem peanuts apenas lhe reafirmo aquilo que penso: ignorar as pessoas que como diz não têm nenhuma expressão eleitoral (as palavras são suas)é erro, colocar-nos em cima do palco e pensarmos que agora é tudo nosso é um erro, e não foi preciso esperar muito para todos percebermos o que estão a fazer não é muito diferente de outros que tanto criticaram e muitas vezes apenas pelo seu carácter (aliás a bom exemplo como alguns fazem na vida local, à falta de argumentos..); depois digo-lhe ainda que as análises são válidas para o nacional ou para o local, só que as realidades são muito diferentes e nos aspectos locais não há troika, nem pactos (que alguns até gostariam que houvesse); para terminar folgo em saber que o caro anómino é uma pessoa viajada e ocupada, pois eu também trabalhei na última semana e muito e não fiz politica porque não tenho tempo, tenho que pensar noutras coisas, em particular como vou fazer face ao corte/roubo de Dezembro, sem que directamente tenha contribuido para a situação do país, + o aumento do IVA, cortes na saúde e nas reformas, etc, tudo em defesa de alguns que alegremente continuam a passar ao longo da crise; a legitimidade do governo existe,é um facto e como já disse não me custa a aceitar, mas a quem dói eu sei a quem é, essa é a triste realidade que o PSD no passado não consegui inverter e que agora também não vai porque a receita é a mesma de sempre; mas como que diz o post a ver vamos... Continuação de Bom trabalho e saúdes.
Apenas um comentário relativamente àquilo que eu considero um equívoco, seguramente não mal intencionado, do Senhor (a) anónimo (a) que, muito gostosamente para mim, me tem vindo a interpelar:
- Obviamente que as “pessoas” me merecem, sempre e em qualquer circunstância, toda a consideração e respeito, mas enquanto eleitores vencidos nas eleições e devido a um sistema eleitoral que não me repugna aceitar como “imperfeito” – entendo, por exemplo, que os votos nulos e brancos deveriam eleger, pela ausência no parlamento, deputados, e aí ñ teríamos nem 230 nem 240 mas sim um número proporcional aos votos expressos nos partidos, além de em circunstância nenhuma ser levado em linha de conta o peso das abstenções – elas também deveriam, de igual modo, “eleger” não representantes – o papel das “pessoas” enquanto eleitores, esgota-se e cabe aos deputados cumprirem na Assembleia as funções para que foram eleitos e ao Governo, legitimamente formado, governar para todos, vencidos e vencedores e, até, por incrível que possa parecer, para todos aqueles que não trocaram a comodidade do sofá ou do banco do jardim para irem votar.
O Governo actualmente em funções, e ainda não terá um mês de existência, para além de toda a legitimidade para governar, é-lhe reconhecida por muitos, e dever-lhe-ia ser dado o benefício da dúvida por todos os outros que não contribuíram com o voto para a sua eleição, competência bastante para tirar o país do enorme buraco em que ele se encontra. Pensar que o trabalho a que este governo está obrigado é fácil, ou susceptível de agradar mesmo àqueles que o elegeram – dos outros então nem se fala – é pura fantasia! Com ou sem Troika, não tenhamos dúvidas de que a austeridade será forte, as medidas serão impopulares, o poder de compra irá diminuir e a grande dúvida será saber se todos os sacrifícios a que iremos estar obrigados, já o estamos, servirão, efectivamente, para a concretização dos objectivos.
Saberá o Senhor(a) anónimo que o país só conseguirá sair da situação em que se encontra se o sistema económico sair da recessão actual e formos capazes de gerar riqueza; sem crescimento económico, sem capacidade de gerarmos riqueza, e isso cabe aos empresários, trabalhadores, a todos nós e não apenas ao Estado, não seremos capazes de pagar os juros da dívida acumulada e, muito menos, reduzi-la!
Não tenhamos ilusões, com este ou qualquer outro governo responsável, as medidas a adoptar são muito mais técnicas do que políticas, apenas algumas “nuances” poderão existir, e serão duras e impopulares. Gostaria de lhe dizer que não estou preocupado com os milhares de euros que pago anualmente de IRS, nem tão pouco com os 50% do subsídio de natal remanescentes do ordenado mínimo nacional, e creia que não é tão pouco como isso; o que me preocupa verdadeiramente é obstinação de alguns partidos, sindicatos e centrais sindicais, gente que nunca trabalhou na vida e cujo seu aparecimento frente às câmaras de televisão mete fastio e cheira a bolor que tresanda, em tentar destruir tudo, dizer mal de tudo, nada fazerem para a recuperação do país.
Apesar de tudo, dou o benefício da dúvida ao meu prezado interlocutor de que, não obstante eventuais divergências quanto à forma, estará solidário comigo e milhões de portugueses, quanto às linhas mestras e aos objectivos. Como vê eu acredito, respeito e considero muito as pessoas, e assim sendo o Senhor (a) anónimo (a) merece-me todo o respeito e consideração e acredito, piamente, que tudo fará para ajudar o país a sair do estado em que se encontra. Neste processo, muitos mais que os políticos, são as Pessoas que contam, eu acredito nas Pessoas do meu País!
Caro Anónimo, não querendo prolongar os comentários em torno de matéria sobre a qual divergimos diria como na minha terra "cantas bem mas não me alegras"; de facto a sua cantiga é boa na forma, mas é o CD do costume não convence em particular quem conhece muito bem a realidade politica do país e em particular dos terrenos do PSD (e acredite que eu conheço demasiado bem os meandros do mais que provável que é o seu partido, talvez bem melhor que o Sr. algum dia virá a conhecer!); só dois apontamentos finais: eu fiz o 1º comentário pq acho ridiculo aquele tipo de análises contabilisticas que ignoram meio mundo, em democracia existem vencedores, mas existem limites para um comum mortal votante em branco, e não concordo nada com aquela teoria das cadeiras vazias e etc e tal, também aí há limites razoáveis; o outro ponto é o seguinte eu importo-me e muito com os milhares de euros que o Estado arrecada à minha conta e + os 50% sobretudo pq servem para pagar aquilo de que não sou responsável, nem indirectamente (é que no buraco do país existem nomes e muitos que continuam alegremente a viver à conta de quem trabalha verdadeiramente) por isso não quero dar para esse peditório e lutarei ao lado de quem quer que seja, nem que para isso possa sofrer consequências graves no meu emprego (pq o estar contra paga-se sempre e muitas x com juros); e agora tenho que terminar pq a minha chefe amanhã precisa de um relatório que ainda estou a terminar e sabe esta questão dos objectivos, perdão de agradar ao chefe, não é par falhar. Respeitosos cumprimentos e até breve.
Meu Caro Anónimo (a),
“Ao cantas bem mas não me alegras”, metáfora que o Senhor me dirigiu, eu responder-lhe-ei, com igual respeito, com uma outra que lhe assenta muitíssimo bem, diria mesmo, que nem uma luva: “Presunção e água benta, cada um toma a que quer”…
E digo-o pela sua afirmação que aqui deixo reproduzida: “ e acredite que eu conheço demasiado bem os meandros do mais que provável que é o seu partido, talvez bem melhor que o Sr. algum dia virá a conhecer”…
Daqui tiro duas ilações:
- A primeira é que o Senhor tem, pretensamente, dotes de adivinho que eu não lhe reconheço, nem ninguém lhe reconhecerá já que o seu vaticínio quanto ao meu partido está absolutamente errado! Se quiser, até lhe adiantarei que o meu partido não existe e, duvido, que alguma vez venha a existir! Tenho formulado as minhas convicções políticas com base em doutrinas que, eventualmente, se aproximem das matrizes de alguns partidos, mas isso não significa que o meu partido seja o A ou o B, de resto só lhe falei em siglas partidárias uma única vez para lhe apresentar resultados eleitorais dos quais o Senhor não terá gostado;
- A segunda, bem mais arrogante e descabida, é que o Senhor afirma “talvez bem melhor que o Sr. algum dia virá a conhecer” … Bom, eu não tenho o prazer de saber a sua idade nem a sua militância partidária nem, tão pouco, o tempo que dedica ao estudo das linhas programáticas dos partidos, provavelmente será pago para o fazer, mas quero garantir-lhe que, mesmo sem ter tido necessidade de ler, exaustivamente, os programas dos diversos partidos, a experiência de vida acumulada aliado ao facto de, por obrigação cívica e não partidária, ter dispensado algum do meu precioso tempo a ouvir, e a discutir entre amigos, as principais linhas programáticas dos diversos partidos, permitem-me ter um conhecimento, abrangente e isento, dos diversos programas partidários;
Isto dito, e porque já divergimos muito do tema inicial, volto aqui a reproduzir aquilo que importa e nos separa:
Temos um governo liderado, com a legitimidade que lhe assiste, por um militante do PSD, um governo recheado de gente jovem oriunda, maioritariamente, de quadros superioras de empresas, com provas dadas no mundo profissional, um governo com legitimidade bastante para governar, assente numa maioria parlamentar de, desculpe se errar nalguma décima, em mais de 85% dos deputados; aquilo que se exige, que se nos exige, e que é legitimo exigir-lhe a si como PESSOA, e cidadão que é, é que dê o seu contributo para que este governo, no cumprimento integral da sua legislatura, consiga tirar o país, e TODOS NÓS PESSOAS, da gravíssima situação em que se encontra.
Parafraseando um antigo presidente dos USA, de boa memória, e correndo o risco de voltar a errar mais uma vez -mas sem nunca alterar ou adulterar o sentido real dos acontecimentos - deixo-lhe esta frase: “ Não fiques à espera que o País, ou o governo, façam alguma coisa por ti, mas toma tu a iniciativa de fazer alguma coisa pelo teu País”…
Fique bem!
Caro Anónimo,
Em férias tenho pouca paciência e em trabalho pouco tempo para certo tipo de discussões, mas ao reler o seu último comentário vejo-me na “obrigação” de deixar alguns esclarecimentos ou notas, conforme o ângulo:
- Começo pelo fim: a frase do presidente dos USA é daquelas que a “máquina” quis colocar na história, é uma frase redonda e pouco mais; prefiro outras, mais antigas, “Ninguém é suficientemente competente para governar outra pessoa sem o seu consentimento”;
- Sobre o governo de Portugal, não tenha ilusões, o pai natal está lá longe na Finlândia, meu caro bastou menos de um mês para “faz o que eu digo, mas eu faço o que quero…” e a tal maioria de mais de 85% de deputados parece que já não é bem assim (disse-me por aqui um amigo que alguns reputados activistas deste ciclo estão à rasca, não sabem bem como justificar algumas decisões e não era preciso os dizeres desse amigo, basta ver os debates nos canais das noticias e os constrangimentos de alguns com as recentes nomeações da CGD, as novas regras dos despedimentos, o aumento dos transportes, etc), enfim, A ver Vamos.., mas este começo que não vai lá muito bem, não vai, com excepção de PP que passeia alegremente pelo mundo lusófono e tal e tal....umas alfinetadas em AJJ, e tal e tal e naturalmente as grandes fortunas que continuam a crescer…e ao invés os pobres e a classe média (ainda existe!) a empobrecer; depois essa coisa dos apelos ao patriotismo é uma coisa muito séria, já me ensinaram isso há muito tempo e portanto não embarco naquela história dos apelos à cidadania, à pátria, faço por PORTUGAL aquilo que sempre fiz (e se a maioria dos portugueses fizesse o mesmo absolutamente não tínhamos chegado a este buraco), mas não fiz nem faço em nome de um partido ou de um qq governo, ou de um qq ministro competentíssimo;
- Sobre a 1ª ilação, valha-me qualquer coisa! porque adivinho (ou pretensamente) não foi nem quero ser (mas se fosse não estava a gozar umas repousantes férias (não digo merecidas, pq ainda posso ser acusado de presunção..) aqui numa praiazita fresquinha deste canto à beira mar); quanto ao facto de não ter partido, bem-vindo ao clube (embora pareça que no seu caso tem por aí uma amizade colorida! Ou se não tem, ai, ai, está muito próxima de a ter); ao que parece o estimado Senhor ainda não compreendeu, ou não quis compreender, o ponto central do meu comentário inicial (talvez a falha seja minha!) teimando em dizer que não gostei dos resultados eleitorais, paciência mas não vou repetir-me;
- Sobre a 2ª ilação e o “arrogante e descabida” ´e óbvio que a afirmação contém uma provocação, um excesso se assim quiser, mas ainda assim devo dizer-lhe que a minha atitude de vida é contrária à arrogância e apesar de não conhecer a sua experiência de vida e de proximidade partidária conheço a minha e sei o que vi e por onde andei e tenho idade para ser avô de muito boa gente e pai ainda de muito mais. O seu descabido “provavelmente será pago para o fazer” vou considerar apenas uma provocação imprudente, pois se leu bem os meus comentários poderá aceitar que não tenho qq filiação partidária nem trabalho para qq partido, não tive e também não tenho intenções de ter, mas não nego que tive em tempos “proximidades politico partidárias” que muito conhecimento me deram, fruto talvez do acaso da vida, ou não, who knows?
Não pretendo mais monopolizar este espaço com comentário sobre comentários até porque a natureza deste blogue não é a mais adequada para isso e depois porque já me provocam algum cansaço,
Saúdes e ainda Melhores Cumprimentos.
Meu Caro Anónimo,
Como eu gosto deste diálogo e quantos não terão sido os leitores deste blog a perderem algum do seu preciosíssimo tempo a leram os nossos desabafos…
Como é tempo de férias, a produtividade nacional não sai, estou em crer, minimamente beliscada!..
Mesmo para terminar o “debate”, sobre este tema obviamente, porque muitos outros, espero, se seguirão, gostaria de o deixar com 2 frases/pensamentos na senda dos últimos comentários, de outros tantos autores cujo nome não preciso de aqui reproduzir já que a sua cultura nesta, e noutras, matérias é por demais evidente, e uma informação de carácter pessoal, diria uma réplica daquela que o Senhor Anónimo entendeu por bem facultar no seu último post.
Vamos então às frases/pensamentos:
- “ Saber exactamente qual é a parte do futuro que pode ser introduzida no presente, é o segredo de um bom governo”;
- “ Não há governos populares, governar é descontentar! “ ;
Quando me diz, e este é o comentário de carácter pessoal, que “tem idade para ser avô de alguns e pai de muitos mais”, cuidado porque a “crise” não está para famílias muito numerosas, ficando-me a dúvida se é, de facto pai e/ou avô, e não será por aí, seguramente, que as nossas opiniões quanto à actuação deste governo divergem frontalmente, adiantar-lhe-ei que este seu interlocutor é pai e avô! Não obstante esta minha condição e, talvez, porque desde muito cedo me habituei a trabalhar no sector privado, multinacional por sinal, com jovens que, ao longo da sua vida profissional, deram provas de grande competência e hoje ocupam lugares cimeiros no mundo empresarial, alguns no estrangeiro, quero crer que a juventude, e tudo o que isso possa representar de ideias novas, aliada à competência e maturidade dos membros do actual executivo, são condição bastante para que eu possa estar tranquilo.
Deixe-me utilizar uma frase redonda, semi-elípticas ou semi-circulares dessas, confesso, não gosto! Sou avô, biologicamente falando, mas penso e ajo, responsavelmente, como os demais jovens da idade do meu filho!..
Aqui pode estar o princípio daquilo que nos separa: os que são de facto, e os que podem ser mas não se sabe muito bem o que são; os que sendo de uma determinada faixa etária aceitam isso como forma de uma melhor aprendizagem contínua e uma mais-valia na partilha de experiências e conhecimentos, e os outros que acreditam que o acumular, meramente cronológico, de anos, lhes dá competência e sabedoria bastantes, não necessitando de abrir a mente a novas ideias, às gerações mais jovens, ao futuro…
O que verdadeiramente me assusta, me está a assustar, são os dinossauros da política, os mesmos de há 30 e tal anos, aqueles que só de os ver, quanto mais de os ouvir, já cansa e de que maneira, continuarem com a mesma “lengalenga” tentando “atrapalhar”, para ser simpático, as linhas de orientação de uma governo que não só sabe para onde quer ir, como está europeistamente “condenado”, a ter de seguir determinado caminho para salvar o país do pântano colossal ou, de tão colossal pântano…
Continue no merecido gozo das suas férias, na pequena praia portuguesa onde se encontra e, poderá ser que, graças à boa governação do executivo actual, em que eu muitos portugueses, apesar dos sérios condicionalismos, se revêem, mesmo alguns descontentes com algumas medidas mas que vêem nisso um remédio para a cura, eu tenho boas razões para acreditar e, quem sabe, se daqui a 4 anos o Senhor Anónimo não poderá vir a reconhecer mérito ao executivo que agora contesta, e nos possamos vir a encontrar, não numa praia da costa portuguesa, o que já não seria despiciente, mas numa qualquer praia do Pacífico…
Ficaria muito feliz se assim viesse a acontecer, creia!
Boa tarde Caro Anónimo,
Apenas um breve esclarecimento, o que me assusta verdadeiramente na politica não são os dinossauros, não tenho nenhum problema com eles, nem com os mais jovens, bem pelo contrário, mas o que é de assustar é o pensamento/acção de alguns jovens politicos que tem pensamento muito pior que os dinossauros, que não sabem o que foi o passado, mas discursam como se fossem absolutos conhecedores de tudo com um pensamento perfeitamente sectário, que é do pior que existe, isso verdadeiramente assusta-me muito mais, porque são eles que vão chegar ao poder daqui a poucos anos e outros já lá estão;.....mas condenados a um só caminho salvador, essa não, essa já nos foi vendida pelo botas e também em democracia com os resultados que estão à vista de todos! quanto às férias, estão no último espirro, mas antes ainda tive tempo para uma pequena viagem ao interior e ver um pouco do fumo dos nossos impostos a voarem...ao sabor de mais uns quantos interesses, enfim....
Boas férias, se for caso disso.
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